Entre o mundo encantado da propaganda e o abismo dos fracassos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, tem um abacaxi de R$ 590 milhões sobre a mesa. Ele se chama Cartão Nacional de Saúde, ou o cartão SUS. O ministro pode descascá-lo ou comê-lo inteiro, como preferir.
Pela propaganda do seu ministério, o cartão “é um instrumento que possibilita a vinculação dos procedimentos executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) ao usuário, ao profissional que os realizou e também à unidade de saúde onde foram realizados”. Por enquanto, o cartão SUS é apenas um desastre que merece ser estudado por pesquisadores da má administração pública e da esperteza dos fornecedores de equipamentos de informática.
Depois de se gastar meio bilhão de reais numa coisa que não funciona, o melhor que se tem a fazer é investigar o que aconteceu, se possível com a ajuda da Polícia Federal. É possível que os equipamentos e os programas vendidos em Brasília só funcionem na cabeça de hierarcas e fornecedores. Também é possível que a máquina burocrática tenha repelido um mecanismo que aprimora os controles e a transparência. Isso pode ter acontecido por puro desinteresse de evitar que os gastos sejam controlados. O mais provável é que os dez anos de fracassos sejam uma mistura de todos esses fatores.
Fonte Folha de S. Paulo
Postado pelo IGUATU.ORG
Por Ariane Moreira
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